a gente não quer só comida…
2 Janeiro, 2009 at 5:09 pm | In comida, desenho & ilustração, design | Leave a Comment
Minha mais nova aquisição literária, e também culinária, é este livro. “Jamie em casa” é uma edição primorosa, a começar pelas ilustrações maravilhosas, que me lembram um livro de receitas da minha infância.

As fotos e o projeto gráfico não deixam por menos e o conjunto enche os olhos. Percebam que fui completamente seduzida pelas aparências :) mas o recheio não decepciona. Ainda não li tudo claro, mas mal recebi o livro saí folheando e saboreando cada página.
Embora não seja uma seguidora fervorosa do Jamie Oliver, confesso que gosto de seus programas e da energia que tem ao cozinhar. Acho estimulante ver como ele se encanta com os ingredientes, como se envolve com cada receita. Com o passar dos anos suas receitas foram ficando mais próximas do que considero saudável (ele é inglês certo?), e neste livro ele vai adiante e colhe seus ingredientes direto do quintal! Uma maravilha que não é para todos, mas que também não é algo tão impossível como parece. No livro há um pequeno texto sobre como cultivar cada um dos ingredientes da horta – achei tão bacana que deu mesmo vontade de sair mexendo na terra, quem sabe um dia?

De todos os textos do livro, me chamou logo a atenção este trecho sobre os ovos. Já faz algum tempo que consumimos o máximo possível de alimentos orgânicos em casa, e foram justamente os ovos que mais me estimularam a embarcar nos alimentos orgânicos. A diferença entre ovos orgânicos (ou caipiras) e ovos de granja são mais do que evidentes, são chocantes. Jamie faz no livro um breve relato de uma visita que fez a uma granja no Reino Unido e as condições dos animais, que reproduzo abaixo:
“… as galinhas ficam presas em gaiolas de arame (cerca de cinco em cada), com uma área não muito maior que uma folha de papel A4. Até seis gaiolas são empilhadas umas sobre as outras, formando corredores abarrotados com centenas delas, sem liberdade para se locomover, ciscar nem espojar. Confinadas assim, as pobrezinhas acabam com uma saúde muito ruim.
Recentemente, peguei várias dessas galinhas e as levei para casa, juntando-as as minhas para que pudessem aproveitar o resto de suas vidas. Eram as primeiras que eu havia visto e fiquei chocado com o estado em que se achavam. As cristas tinham um tom rosa-pálido, próximo do branco, e estavam quase achatadas. Elas deveriam ser vermelhas, apontando para cima. Seus pés tinham um formato péssimo, pois elas não ficavam sobre uma superfície plana apropriada – imagine a ser forçado a ficar de pé sobre barras de arame por mais de um ano. Por não ciscarem, suas unhas eram longas, ao invés de serem curtas. As penas estavam muito secas e em péssimo estado e os bicos, cortados. Nos primeiros dias, a impressão era de que as galinhas estavam quase em coma. Não há, absolutamente, desculpas para tratar animais desta maneira.”

Não sou militante de nenhum movimento pró-animais, mas fica evidente que animais assim não podem produzir alimentos saudáveis. A constatação é óbvia quando se compara um ovo orgânico ou caipira com um ovo de granja. A cor, a textura, o cheiro, tudo é muito diferente.
Se somos o que comemos, devíamos no mínimo ser mais cuidadosos não é?
paella de natal
24 Dezembro, 2006 at 4:05 pm | In comida | Leave a CommentEm ocasiões especiais o prato preferido da família é a paella, maravilhosamente preparada pela tia G. Desta vez fui dar uma mãozinha e aprender o passo a passo.


yummy! :)
comer comer
15 Dezembro, 2006 at 7:55 pm | In comida, passeios & viagens | Leave a CommentJá tinha pensado em escrever sobre alimentação depois desta viagem, e aí li este post sobre uma consulta pública que a Anvisa está fazendo:
“Regulamento Técnico sobre oferta, propaganda, publicidade, informação e a outras práticas correlatas cujo objeto seja a divulgação ou promoção de alimentos com quantidades elevadas de açúcar, de gordura saturada, de gordura trans, de sódio e de bebidas com baixo teor nutricional, quaisquer que sejam as formas e meios de sua veiculação”
Eu nem sabia que a Anvisa fazia consultas públicas, muito menos que esta estava em andamento. Bom, para quem estiver interessado, funciona assim: você pode ler o texto do regulamento no post da Denise ou na íntegra no site da Anvisa, aí você se registra como membro do fórum de discussões da Anvisa (é bem fácil, só precisa de um email válido) e pode deixar sua mensagem apoiando o regulamento, ou ainda, sugerindo modificações, aqui.
Lá em casa
Hoje em dia temos o privilégio de consumir verduras e legumes orgânicos (a maioria) e fazer quase todas as refeições em casa, o que eu sei que não é possível para muita gente. Mas durante nossa viagem, tivemos que sair destes “padrões” e nos adaptar a uma realidade bem diferente.
Como eu disse antes, as pessoas por lá são grandes, e muitas, muitas mesmo estão bem acima do peso. O problema é grave e enquanto estive lá vi vários programas na tv e matérias em revistas e jornais sobre o assunto. Segundo uma matéria desta revista: 1 em cada 5 adultos e 1 em cada 10 crianças é obeso. As causas principais: má alimentação e falta de atividade física. O sedentarismo parece ser um mal do nosso tempo, comum em qualquer cidade de qualquer país e deveria ser combatido desde a infância, estimulando-se as atividades físicas, esportes, brincadeiras ao ar livre, dança, etc, e limitando o acesso a televisão e jogos eletrônicos diversos.
Quanto à alimentação… claro que este não é um problema exclusivo de lá, é bem sabido que por aqui os fast foods fazem a festa, e muitas vezes são o “desejo de consumo” de adultos e crianças. Mas lá realmente a má alimentação parece ser a regra. A começar pela herança gastrônomica inglesa – que não é das melhores (Fish & chips?? óleo, muiiito óleo!). Para quem vem de uma família de origem mediterrânea, que adooora BOA comida, tem uma mãe que cozinha muito (e muito bem), não é fácil aguentar…
O cardápio kiwi básico raramente inclui grãos, como arroz, feijão, lentilha, etc. A maioria das comidas ”cozidas” contém muito óleo (frituras e mais frituras, com preferência pelos empanados), quase nada de temperos (ervas, especiarias, alho, cebola, etc), que são substituídos por molhos semi-prontos, de conteúdo e sabor duvidosos, pouca ou nenhuma verdura fresca crua, uma gama bem limitada de legumes e verduras cozidas (basicamente: batata, batata, batata, e, brócolis, couve-flor, ervilha, cenoura – cozidos e servidos com os tais molhos). As frutas não são muito populares, e os sucos perdem feio para os refrigerantes. E muitas (muitas, muitas) vezes, uma refeição resolve-se com sanduíches ou uma passada no fast food mais próximo.
É preciso dizer que o custo de frutas, verduras e legumes frescos é mais alto que os similares industrializados (por ex. é mais barato comprar uma lata de tomates do que os tomates frescos, por aqui geralmente esta relação se inverte). O que parece pesar mesmo é a tal “praticidade” – para que comprar uma banana, tirar a casca, amassar para dar para seu bebê, se você pode comprar um potinho industrializado de banana amassada? Para mim não parece uma boa escolha, e o que deveria ser exceção, uma opção durante uma viagem, vira a alimentação do dia-a-dia. Assim, a quantidade de comida semi-pronta (do tipo “tire a embalagem e enfie no microondas”) é enorme! Os preços deste tipo de alimento são baixos, o que favorece ainda mais seu consumo, num ciclo difícil de quebrar.
Claro que tudo isso foi o que vivemos por lá, nas cidades e locais onde ficamos, tenho certeza que existem famílias com alimentação mais equilibrada e saudável, mas parecem ser a exceção. Por outro lado os supermercados oferecem de quase tudo, alimentos frescos, boa variedade de massas, grãos, peixes de qualidade, mariscos, queijos (bons e baratos), carne de todo tipo.
Como o problema da obesidade afeta a saúde pública, algumas iniciativas estão acontecendo no sentido de conscientizar as pessoas da importância de uma alimentação mais saudável e de atividades físicas constantes, algumas escolas mudaram o tipo de comida, existem programas na tv sobre o assunto, campanhas explicam a gravidade de doenças associadas a obesidade, como a diabetes. Eu espero que dê certo, quem sabe da próxima vez que for para NZ fique mais animada com a mesa! :P
Aniversário
27 Agosto, 2006 at 1:43 pm | In comida | 4 Comments
Amanhã faz um ano que chegamos aqui. Às vezes parece que foi ontem, às vezes parece que faz muito mais tempo. Em homenagem ao nosso “aniversário”, resolvi apresentar algumas peculiaridades locais. Vamos começar pela comida. :)
O amarelinho ali emcima é um cuscuz - mas atenção, é muito diferente do cuscuz paulista (mesmo em São Paulo acho que existem diferentes versões para o cuscuz). Bom, este aqui é totalmente diferente do que eu conhecia como cuscuz, é feito apenas com farinha de milho, água e sal – e precisa-se de uma cuscuzeira para preparar (panela com um compartimento embaixo para pôr água e uma “peneira metálica” para pôr a comida, que cozinha em banho maria). Eu demorei um pouco para adquirir a tal, e só recentemente consegui experimentar o famoso cuscuz local.
É servido ainda quente, alguns preferem com leite ou leite de côco, eu prefiro comer com manteiga, acompanhado de café. Virei fã, é muiiiito bom.
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